5S na Prática

Alguns leitores tem encontrado alguma dificuldade para entender na prática, o que é e para que serve o 5S. Para isto, estamos desenvolvendo este terceiro artigo sobre o mesmo assunto, procurando com um exemplo, esclarecer estas questões.

A metodologia do 5S, serviu como balizador para uma série de atitudes de vários setores da empresa, trabalhando com uma mesma filosofia para eliminar um problema indesejado e que poderia ter graves repercussões.

Durante uma manutenção de rotina de um dos equipamentos, houve a troca de posicionamento de uma tubulação de vapor, por uma de óleo pesado. Como a tubulação de vapor tinha um dreno para uma canaleta de escoamento de outras águas utilizadas em outros processos industriais, ninguém percebeu imediatamente que este óleo foi contaminando a canaleta, tubulações e galerias, até parar na entrada de uma represa.

Para agravar ainda mais a situação, esta represa, além de servir para gerar energia elétrica, também era uma fonte de água que abastecia a cidade e uma área de lazer para todos os colaboradores da empresa.

Imaginem um óleo pesado, que vai impregnando todas as superfícies em que tem contato ao longo do trajeto, ficando aderida em todo o percurso da água, até atingir a entrada da lagoa. No contato da água da tubulação com a da lagoa, o óleo vai para o fundo, só atingindo a superfície, a parte leve que compõe o óleo pesado. Com qualquer elevação da temperatura ambiente, ou da movimentação da água, parte deste óleo aflora na superfície.

Isto é um desastre, com todas as implicações técnicas, legais, ambientais e de saúde pública.

Imediatamente após a constatação do acidente, foram tomadas várias medidas:

  • Acionada a Brigada de Emergência, altamente treinada para atender qualquer tipo de anomalias.
  • Contratada empresa especializada para fazer este tipo de descontaminação, equipada com todos os materiais e pessoas especializadas para estes tipos de ocorrências.
  • Informado os órgãos ambientais, para acompanhamento das atividades de descontaminação e monitoramento da área afetada.
  • Elaborado um plano de ação para atuação em regime de tempo integral, para confinamento, contenção e remoção do óleo das áreas afetadas.

Foram dias de pesadelo, centenas de horas de trabalho, toneladas de material de absorção e detritos acumulados. Até a destinação final dos detritos, toda a responsabilidade é da geradora do acidente ambiental.

A um custo superior a R$1.000.000,00 e alguns meses de trabalho, nenhum peixe morreu e a água de abastecimento não foi contaminada. Por outro lado, uma grande parte da força de trabalho e mais intensamente os componentes da Brigada de Emergência, estavam extenuados, mas com a certeza de missão cumprida. Todos os cuidados foram tomados para preservar a saúde de todos os envolvidos e dos recursos naturais que poderiam ser afetados.

Todos os 5S foram exaustivamente empregados para o sucesso desta operação e evitar outro acidente:

  • SEIRI: Utilização.
  1. Identificar e bloquear as causas.
  2. Utilizar somente o necessário para o trabalho de descontaminação.
  3. Eliminar todos os resíduos gerados, sem contaminação de outras áreas.
  • SEITON: Ordenação.
  1. Ter um local para cada coisa e cada coisa em seu lugar.
  2. Localizar rapidamente qualquer anomalia.
  3. Identificação à prova de falhas das diferentes tubulações.
  4. Ter postura coerente com as circunstâncias atípicas.
  5. Valorização dos times de trabalho.
  6. Eliminação de perdas.
  • SEISOU: Limpeza.
  1. Mais do que limpar, foram tomadas medidas para não sujar.
  2. Ampliado o zelo pelas máquinas, equipamentos e equipes de traqbalho.
  3. Ampliado o senso de preservação e conservação de todos os recursos.
  4. Encontrar a causa da sujeira e eliminá-la.
  5. Atentar para todos os tipos de poluição: visual, sonora e ambiental.
  • SEIKETSU: Saúde.
  1. Manter as condições de trabalho adequadas para a saúde física e mental.
  2. Estar sempre vigilante.
  3. Não dar descanso para todo o tipo de sujeira.
  4. Cuidar da higiene nos mínimos detalhes.
  5. Seguir procedimentos de segurança em todas as atividades de trabalho.
  6. Trabalhar em time.
  7. Eliminar agentes poluentes.
  8. Ter comportamento ético.
  9. Ter um ambiente saudável com relação à comunidade, familiares e profissionais.
  • SHITSUKE: Autodisciplina.
  1. Saber das responsabilidades e estar comprometido com elas.
  2. Sentir responsável pela qualidade do trabalho e da sua vida.
  3. Cumprir padrões éticos, morais e técnicos.
  4. Fazer e praticar o que se aprende.
  5. Não permitir que o local de trabalho volte a ser como antes.
  6. Permitir que cada dia seja melhor que o anterior.
  7. Obsevar e seguir normas, regras e procedimentos.
  8. Atender as especificações.
  9. É querer de “fato”.
  10. Ter autocontrole.
  11. Ser persistente.
  12. Ter respeito.

Novos procedimentos padronizados foram criados, exaustivos treinamentos foram aplicados e muito mais cuidados foram tomados para que esta péssima experiência jamais ocorra.

Pergunta que fica no ar: tudo isto não aconteceria, se a empresa não conhecesse o 5S?

Resposta: sim, poderia acontecer, mas a um custo mais elevado e de forma mais ineficaz, pois não haveria foco e uma motivação elevada e permanente de todos os colaboradores para minimizar e eliminar todos os impactos decorrentes.

Cremos que com este artigo, possamos permitir aos leitores que não são diretamente do ramos, possam aprender a metodologia e aplicá-las em seus trabalhos. O IBC estará pronto para atender suas necessidades específicas.

 

 

Autor: Lauro R.D.Volaco – Diretor IBC
Empresa: IBC – Instituto Brasileiro para a Competitividade