8S – Gestão compartilhada

Um grande dilema de muitos gestores é conseguir, de forma espontânea, a divisão da gestão, sem que isto seja uma obrigação, mas como uma fonte de prazer. Uma realização pessoal dentro do dia a dia de trabalho onde cada chefia tinha a possibilidade de dar a “cara” que queria na sua área de eficácia.

Havia outro detalhe que nos incomodava: cada vez que havia uma visita importante, era uma correria enorme de todos nós, pintando meio fio, varrendo as ruas de acesso, cortando grama, podando árvores, arrumando os jardins e uma série de coisas para impressionar nossos visitantes. E isso nós vimos, de um instante para o outro, como uma falsidade de nossa parte, pois como ideal a fábrica deveria estar sempre em perfeita ordem, qualquer dia e qualquer hora. Mas como fazer isso, se nossos recursos eram parcos e a pressão para redução de custos era grande. Mas havia um princípio: “fazer mais com menos”. Usava-se todo tempo de pequenas folgas de todos os colaboradores durante o dia, para transformar sua freguesia em um exemplo.

Assim sendo e seguindo um modelo de sucesso na cidade de Curitiba, a Fábrica de Cimento Itaú do Paraná, acabou adotando um projeto encabeçado pelo seu chefe do departamento de produção, Flavio Ferreira que imediatamente teve a adesão de todos.

Simplificando mas permitindo que você tenha uma ideia de como foi este sistema de gestão compartilhada, o Flavio propôs que a chefia de seção que desejasse, adotasse uma área física no entorno do seu local de trabalho. Assim, o Flavio assumiu a Vila Residencial, Semicek o Almoxarifado, Clair o Laboratório, Idinir as moagens de farinha e cimento, Costa a substação, Benatto a ensadeira, Hipolito o acesso à fábrica, Victor Sekne a frente da fábrica e o Volaco a área do lago.

Logo foram observados benefícios permanentes:

  • Embelezamento e limpeza de todas as áreas da empresa.
  • Competição saudável entre chefias.
  • Pomares de frutas para alimentação de todos e sombra.
  • Jardins impecáveis.
  • Área de recreação no lago.
  • Moradores da vila cuidam do entorno de suas próprias residências
  • Poda de galhos e pintura dos pés das árvores
  • Manutenção de vias internas.
  • Manutenção de placas de sinalização.
  • Integração com a comunidade.
  • Melhoria da imagem da empresa.

Estes são pequenos exemplos onde gerir passa a ser uma responsabilidade e um prazer de todos os colaboradores. A empresa vira um modelo de gestão.

Flavio de Jesus Ferreira – Técnico químico