Atropelos inaceitáveis – Episódio 10

PÉ FUNDIDO

“A cada pequeno evento que eu lembrar ou for lembrado, vou repartindo esta experiência com você.”

Tem passagens na nossa vida que jamais esquecemos. Assim foi ao conversar com meu amigo Ricardo Silva Telles, engenheiro civil e companheiro da mesma empresa por muitos anos. Continua um grande amigo desde sempre.

Isso aconteceu há muitos anos, quando decidimos parar um moinho de bolas de cimento, em uma simulação de parada de emergência. Isso para podermos ver como estava sua condição instantânea de tudo o que precisa ser visto num moinho deste tipo. Tecnicamente se chama de “crash stop”, mas isto é um detalhe supérfluo.

Com um equipamento desse porte, fica muito caro tanto a parada e retomada da produção, como o que deixa de ser produzido nesse tempo parado. Assim, não esperamos o intervalo necessário para o resfriamento, pensando só em custo. Na descida pela porta de inspeção, muito estreita, o Ricardo desceu normal, pois ele era magro. Eu desci a jato, pois a camisa do meu uniforme subiu enroscada na porta e eu assei a barriga. Desci sem usar os degraus da escada.

Como se não bastasse, sentimos cheiro de borracha queimada e o calor nos nossos pés em contato com as bolas e o cimento extremamente quente, foi desesperador.

Simplificando, derretemos a sola das nossas botinas de segurança e tivemos que subir tão rápido como descemos, tendo que esperar o tempo adequado para que a temperatura e a umidade do ar respirado fosse suportável.

Lições aprendidas à duras penas.

A pressa não justifica correr riscos. A segurança é prioritária.

Algumas perguntas ficam no ar:

  • Será que ainda hoje, pessoas adotam estas atitudes de risco sem medir as consequências em sua empresa?
  • Que fazer para que atitudes seguras possam ser hábito e não exceção?
  • Amanhã tem mais um Episódio 11 sobre Marketing Digital. Seja nosso convidado.