Competitividade: O Estado das Organizações

Dizem que Parreira entende de futebol e que é um excelente técnico. Isso, confesso que não sei. Mas uma coisa eu tenho certeza: ele não entende de gente e, muito menos, de como motivar pessoas. Isso sempre me chamou a atenção.

Das declarações, aos olhares de desprezo; da passividade ao lado do campo, à incrível teimosia em fazer valer o seu “sistema tático”, mesmo quando as evidências demonstravam claramente que estava errado. Tudo me dizia que ele era um competente desmotivador de equipes.

Com o mais espetacular time de jogadores da história do futebol em suas mãos, ele conseguiu embotar a criatividade, impedir a ousadia, matar os talentos individuais. Tudo e todos deveriam subordinar-se à sua visão quadrada do futebol. Sua arrogante certeza o fez declarar, após a derrota, que não estava preparado para perder a copa do mundo antes das finais e que a vitória da França deveu-se a jogadores disciplinados que seguiram rigidamente um bom “esquema tático”, como que debitando a derrota a uma possível desobediência dos craques brasileiros à sua infalível quadradice.

Como de tudo, temos que tirar uma lição para a vida, esta derrota nos mostrou a realidade de que pouco adianta ter uma equipe de incríveis talentos quando a liderança é fraca, desmotivadora, surda e cega para a realidade e para as evidências que todos insistem em falar e mostrar.

Por melhores que sejam os talentos individuais do grupo, líderes soberbos, arrogantes, cheios de si, donos da verdade, não conseguem fazer um time vencedor. Líderes que não vibram com seus liderados, que não se emocionam, que não demonstram indignação com o erro e entusiasmo com o
acerto, desmotivam seus times.

Outra lição é a de que, para ser líder, não basta ser um excelente “técnico”. É preciso entender de gente, de seres humanos, de pessoas. Ainda mais se o seu time for formado de jovens que precisam de um líder-pai, líder-afeto, líder que ouça, que entenda, que dialogue. Faltou à nossa seleção um
líder. Talvez tenhamos tido um técnico. Mas, de técnico para líder, a distância está em vencer e perder uma copa do mundo.

Aproveite as lições de nossa derrota para refletir sobre o que faz um líder vencedor. Lembre-se que o verdadeiro líder é, antes de tudo, humilde e faz com que seus liderados se desabrochem dando tudo de si para que o time ganhe. E fazem isso porque têm um líder que os motiva, que os empurra, que vibra mais do que seus próprios liderados com cada vitória deles.

Pense nisso. Sucesso!

Autor: Luiz Almeida Marins Filho
Empresa: Anthropos Consulting