Exemplo para a competitividade brasileira nos Estados Unidos

Abril 25, 2017

“A indústria norte americana é a mais desenvolvida, tornando este país a maior economia mundial“.

Esta frase, ouvida ou lida sem muita atenção ou conhecimento, parece verdadeira. Fazendo uma análise um pouco mais detalhada, podemos assegurar que é falsa.

Alguns segmentos são sem sombra de dúvida, altamente desenvolvidos, tais como o aeroespacial, a informática, telecomunicação, etc. Outros, já foram fator de destaque na economia americana e estão caóticos ou em via de extinção, caso continuem na mão de grupos americanos.

Para citar um exemplo real daquilo que pudemos constatar durante um período de aproximadamente 2 anos que moramos em Detroit – Michigan (2003-2004), está a indústria siderúrgica.

Após ser criada principalmente para suprir o berço da indústria automobilística ( Detroit é a sede mundial da GM e na cidade vizinha de Dearborn, está situada a sede mundial da Ford), empregando milhares de pessoas de todo o mundo, o que pode ser visto hoje, causa espanto. Várias siderúrgicas, com todas as máquinas, equipamentos e instalações, estão literalmente “sucateados”. No dia em que foi tomada a decisão de que esta não seria mais viável economicamente, tanto por falta de atualização tecnológica como pela paralização do desenvolvimento de seus recursos humanos, perdeu sua competitividade e teve que encerrar suas atividades. O que se vê, além do abandono destas indústrias, são milhares de profissionais que perderam seus empregos e causaram grandes transtornos familiares e sociais.

Para nós, brasileiros, que vivemos com parcos recursos, fica praticamente impossível, entender como puderam ter sido relegados ao tempo, máquinas, equipamentos, instalações e propriedades tão caras.

Hoje, o custo da demolição para o aproveitamento da sucata, compreendendo os valores envolvidos para desmontar, transportar e re-instalar os motores/redutores de velocidade, o re-aproveitamento das instalações elétricas, o re-aproveitamento das máquinas e equipamentos fixos e móveis, os vagões ferroviários, os guindastes portuários de suas instalações, enfim, tudo o que ainda permitiria um novo ciclo de vida, não é viável num país onde os custos, principalmente do “homem”, são muito elevados. Resta então, como último recurso, o abandono.

Outro ramo de atividade, que se encontra defasado tecnologicamente, é o cimenteiro. Neste segmento, tivemos o privilégio de atuar como Gerente Geral de uma Moagem de Cimento e Escória, em Detroit – MI. Trata-se de uma fábrica completa, no processo de “via úmida”, que apesar de ter passado pela mão de grandes fabricantes mundiais de cimento, teve o mesmo fim. Se não fossem estes grupos estrangeiros, dos quais o maior conglomerado cimenteiro brasileiro, que atualmente opera esta fábrica, nem as instalações para moagem de cimento e escória teriam resistido. Ao lado das instalações preservadas e em pleno processo de modernização, encontramos equipamentos caros e muito pesados, abandonados, imprimindo um aspecto altamente desolador. Muitos, com a carga de farinha, carvão mineral e clinquer, no seu interior. Quando a decisão de paralisação foi tomada, os botões foram desligados, a maioria dos profissionais existentes ficou desempregada e as suas famílias passaram por grandes dificuldades. Encontrar novas atividades e se preparar para um novo emprego com uma nova filosofia e metodologia, exigiu grande determinação pessoal e profissional.

Quando se analisa que esta fábrica foi instalada onde não há matérias primas e insumos necessários para sua operação, mas somente mercado e o capital para implantá-la, é fácil compreender que o seu tempo passou, que ficou obsoleta, que não é mais viável operá-la como uma fábrica completa. O processo produtivo adotado, grande consumidor de energia elétrica e térmica, é hoje, absolutamente inviável.

Além da obsolescência tecnológica a que ficou submetida com o passar dos anos, tem ainda um outro fator adverso: o clima com um inverno extremamente rigoroso.

Está situado no fundo da fábrica, o seu porto que fica às margens do rio Rouge e, é um fator estratégico vital para o recebimento de todas as matérias primas e insumos. Infelizmente, não pode operar durante todos os meses do ano, pois tanto os grandes lagos (Eriê, Michigan, Ontário), como os rios Detroit e Rouge que são os braços de acesso às várias fábricas instaladas às suas margens, têm suas águas congeladas no inverno. O clinquer, que é trazido principalmente do Canadá e as demais matérias primas disponíveis nas imediações da fábrica e que fazem parte do processo produtivo, não tem como ser recebidas. Só operam, até que os estoques zerem. Para diminuir esta dependência, grandes investimentos são necessários para ampliar as capacidades de armazenagem, trazendo como conseqüência, os altos custos deles decorrentes.

Neste cenário, com competência na utilização de sistemas modernos de gestão amplamente conhecidos por seus executivos, mais o capital para investir em máquinas, equipamentos e instalações de última geração, o grupo cimenteiro brasileiro viabiliza a continuidade da indústria cimenteira de Michigan, que tem hoje excelentes condições de competitividade atuando num mercado altamente consumidor.

Ferramentas de gestão, que o IBC domina e disponibiliza, tais como: Manutenção Produtiva Total, Análise de Valor, Metodologia Racional para Solução de Problemas, Programa de Qualidade, 7 Ferramentas Estatísticas, Programas de Participação de Resultados, 5 S’s e Capacitação de suas Equipes, dentre outras, ajudaram e continuam a ajudar a assegurar a sua competitividade.

Conclusão: o homem, num processo de melhoria contínua em suas qualificações, promovendo assim a produtividade do conhecimento humano e um acompanhamento tecnológico industrial permanente, são dois dos maiores responsáveis pela sobrevivência competitiva da organização.

Autor: Lauro R.D.Volaco – Eng. Mecânico
Empresa: IBC – Instituto Brasileiro para a Competitividade